quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Legado dos Heróis de 1932


O LEGADO DOS HERÓIS DE 1932
No período imperial ( século XIX) o Brasil passou por uma série de conflitos externos e internos com o objetivo de consolidar e pacificar o seu território. Estas épocas demandaram uma completa entrega dos brasileiros, muitos cederam suas vidas pela nação; apenas na Guerra do Paraguai, que durou vários anos fala-se em mais de 50,000 vidas. A partir do século XX  o país esteve em paz com seus vizinhos, talvez a maior virtude do povo brasileiro, mas não foi sempre assim, houve conflitos internos, a exemplo da Revolução de 1932, quando bravos paulistas voluntariamente alistaram-se e doaram suas vidas e, em apenas um trimestre, mais de 1000 se foram para sempre. De Piracicaba partiram cerca de 800 revolucionários ( 14 faleceram), dentre estes haviam 27 de São Pedro (uma baixa). Estas épocas produziram homens patriotas, corajosos, mas humildes e de caráter ilibado, traços forjados no calor das batalhas. Com  61 anos de vida tive a honra de conviver com três destes bravos  que deixaram suas famílias para defender a democracia brasileira lutando contra tropas federais a mando de Getúlio Vargas. É sobre eles que deixo estas poucas palavras. Dois deles eram da família Moraes Carvalho ( Piracicaba), tios de minha esposa, convivi ocasionalmente com eles durante  5 a 10 anos. O terceiro era meu pai, Sebastião de Azevedo Aguiar (“Zito Aguiar”), o qual perdi com 21 anos. Os três possuíam algumas características comuns: a) educados e atenciosos, gostavam de uma conversa inteligente, valorizavam o tempo e seus amigos; b) possuíam um caráter reto, incorruptível; c) ostentavam um porte elegante, altivo, mas solidários e humildes de coração; d) Eram avesso a vícios e responsáveis chefes de família  e  e) acima de tudo, os três eram tementes a Deus. Remoendo essas idéias recosto minha cabeça no travesseiro e deixo minha mente vagar em torno desses homens e tenho várias questões dentre as quais: a)  O que teria forjado esse caráter diferenciado ? Qual enfim era a origem do magnetismo das suas personalidades ?. Onde está a raiz do caráter que faz um homem como o meu pai viver por mais de 25 anos na tesouraria  da Prefeitura Municipal de São Pedro, de forma reta e irretocável  ao olhos dos seus superiores ? .Porque teria ele decidido várias vezes romper pretensas amizades em prol da sua honra ? . Meu pai, assim como os tios de minha esposa e a maioria, se não todos os  que defenderam com as suas vidas a pátria brasileira, sentiram o pavor do espanto noturno, nos seus ouvidos o som do zunido das balas perdidas e enfrentaram o terror da morte ao verem seus pares sangrar ou tombar nas trincheiras. Os historiadores relatam que a capacidade bélica era desproporcional em favor das tropas federais, daí tantas mortes nas fileiras paulistas em tão pouco tempo ( apenas três meses). Partiram como jovens, corajosos, alinhados, saudáveis, garbosos e certos da vitória. Voltaram homens, com ferimentos na alma e no corpo, desapontados pela derrota nas batalhas. Chegaram cabisbaixos mas foram surpreendidos ao serem recebidos com salvas, pois voltaram carregando o estandarte da  liberdade democrática. Foram reconhecidos como heróis pois defenderam e conseguiram direitos constitucionais que desde então têm assegurado a democracia nesta nação. Estes pagaram o preço com suas  vidas pelo Brasil, uma terra de paz e abençoada por imensas  riquezas naturais. Diante do pavor das batalhas aprenderam a temer a Deus e a defender a paz entre os homens. Foi um ato cívico de grande envergadura, um dos mais significativos ocorridos no Brasil, mas 80 anos já se foram, já não ecoam como antes nos corações, seu valor vai esmorecendo no tempo. Nós que tivemos o privilégio de compreender esses valores patrióticos às vezes sentimo-nos inconformados em face de notícias negativas da imprensa a respeito do comportamento de alguns líderes políticos. Alguns até ironizam dizendo que Deus teria abençoado demais esta terra, esquecendo-se do povo. Não é verdade, a palavra de Deus assegura o seu amor incondicional pela humanidade. Há esperança sim desde que possamos sempre relembrar e honrar esses que em tantas guerras e batalhas ofereceram suas vidas pelo preço da defesa dessa nação. Há esperança sim desde que ensinemos aos nossos filhos os feitos dos heróis nacionais de tantas lutas, assim como as conquistas dos revolucionários de 1932, neste 09 de Julho  comemorando 80 anos de idade, pois dos seus melhores valores repassados aos nossos descendentes serão edificados o caráter e o patriotismo dos jovens brasileiros do amanhã.               
 João Francisco de Aguiar, Dr. em Administração de Empresas, nascido em São Pedro,  é professor universitário.

terça-feira, 26 de junho de 2012

Sebastião de Azevedo Aguiar, soldado constitucionalista de 1932

sexta-feira, 10 de fevereiro de 2012


SEBASTIAO DE AZEVEDO AGUIAR, “ Soldado Constitucionalista de 1932”



Sebastião de Azevedo Aguiar,”Zito Aguiar”, nascido em 08/11/1903 em São Pedro - SP, filho de Francisco Mendez de Aguiar e Maria Augusta de Aparecida Aguiar,., RG 4.263.534,  Fez o curso primário no Grupo Escolar Gustavo Teixeira e posteriormente a Escola de Contabilidade em Piracicaba. Casou-se com Maria Apparecida Gravena de Aguiar ( professora do curso primário ), “Cida Gravena”, “Artista da Terra de São Pedro”, pintora da natureza, e teve três filhos João Francisco de Aguiar ( economista e professor universitário), Enio Sebastião de Azevedo Aguiar ( Engenheiro civil e empresário) e Viviani Aparecida de Aguiar, bacharel em pedagogia e artes plásticas, professora e funcionária pública da Prefeitura de São Bernardo do Campo – SP.
Alistou-se em 1924 como voluntário no Grupo de Piracicaba para servir ao chamado por uma nova constituição em 1932 e foi enviado com outros piracicabanos à batalha. Segundo relato pessoal entrou em combate, mas não foram achados detalhes do seu envolvimento. Para efeito da Comissão do artigo 30 das disposições transitórias do Estado de São Paulo e nos termos do artigo 12 letra da lei 211 de 07/12/1948 houve reconhecimento da sua participação no movimento constituinte, processo numero 13269 em 14/05/1951.

Documento de Identidade de Convocação – Revolução de 1932

Transcrição da Carta de Sebastião de Azevedo Aguiar em que prova sua participação no front de batalha: "Sebastião de Azevedo Aguiar, voluntário do 1º Batalhão Piracicabano, registrado sob o n. 10) - número 46 L1 - Parti com o 1º Batalhão Piracicabano em 17 de Julho de 1932, com destino à São Paulo, fomos depois alojados em Quitaúna, de onde partimos para o front, sob o comando do Cap. Severino, sob às ordens do Cel. Andrade, nosso primeiro combate, deu-se na "Fazenda Palmeiras", município de Areias, depois seguimos Cachoeira, Silveiras, São Luiz do Paraitinga em Taubaté quando terminou a Revolução. Soldado nº 1.169."

Sebastião de Azevedo Aguiar

Recebeu a Medalha da Constituição nos termos da resolução 330 de 25/06/1962, documento assinado pelo presidente da Assembléia Legislativa do Estado de São Paulo, datado de 07/09/1964. Um dos documentos da época relativamente ao  Artigo 30 e o Batalhão piracicabano menciona AGUIAR, SEBASTIÃO DE AZEVEDO Numero 46,- LFicha 1169 prot 7068 e 7777. Em São Pedro, sua cidade natal, foi honrado com nome de uma das ruas, além de inúmeras homenagens como revolucionário de 1932, inclusive tem seu nome gravado em um ícone disposto em praça pública com outros revolucionários são-pedrenses de 1932.  Faleceu em 1971.


A baixo a carta original ( de punho próprio) onde meu ele ( meu pai) admite que revela que no dia seguinte (Fazenda Palmeiras, município de Areias, Vale do paraíba)m, entraria no seu primeiro combate.  
 




 A Etica e as Origens: Família Tramontina Gravena - Imigrantes italianos
( minha mãe Maria Aparecida Gravena de Aguiar preparou esse histórico)

Natural de Udine - Itália, vieram para o Brasil por volta do ano 1853 para trabalhar em lavouras de café em Descalvado, Estado de São Paulo.
Angeli Tramontina Gravena veio casado com Domingas Paluci e com seus 6 filhos: Pedro, Bathista, Luiz, Joao, Antonio e Valentim.  No mesmo navio de imigrantes veio a família de Pedro Tramontina casado com angela Gravena e a filha Luiz Tramontina ( 14 anos)
No Brasil as duas famílias ja aparentadas ficaram e trabalharam juntase os filhos foram casando entre si:
- Pedro Tramontina Gravena casou-se com Luiza Tramontina e tiveram 4 filhos.  e um filho, todos brasileiros: Joao, Angela, Rosa, Santa, Maria e Angelina. Lá em Descalvado, nas fazendas trabalharam e economizaram. no início do século passado (XX) todos os da família Tramontina Gravena vieram para a vila de Sta Maria da Serra onde compraram um sítuio no Baixadao, confronto com o Ribeirão Laranja Azeda. Com a morte dos patriarcas o sítio foi dividido entre os irmãos italianos. ali plantavam café e criavam gado e assim viviam no "Bairro dos Gravenas", como ficou conhecido. Pedro Tramontina Gravena e Luiza Tramontina com seus 5 filhos compraram, por volta de 1925 casa e terreno em São Pedro e lá tinham um armazém na rua Veríssimo Prado número 54, largo do Jardim, O filho do casal italiano Pedro e Luiza, Joao  Gravena Sobrinho ( meu avô) era do tipo aventureiro e adquiriu a Linha de ònibus de Piraicaba a Torrinha.Após tirar a Carteira profissional ele mesmo passou a dirigir a sua jardineira entre os anos de 1927 e 1931. Pelo fato de possuir a linha de ônibus a família toda decidiu alugar a casa em São Pedro e passara a residir em Torrinha, onde casou-se com Emilia Romão Gravena (  filha de Antonio Romão e Catharina Marcolina, costureira) e nasceram dois filhos Pedro Gravena Neto ( meu tio) e Maria Apparecida Gravena ( minha mãe). Por volta de 1932 houve um acidente na Serra de Torrinha e por sorte não perecem todos os ocupantes inclusive o proprietário da linha, meu avô, Joao Gravena Sobrinho. A partir dessa má experiência a linha de ônibus é vendida e eles decidem adquirir uma área de 60 alqueires de terra no Baixadão ( Entre Sta Maria da Serra e são Pedro), onde passaram a morar em um casa simples, de taipa.Nesta "casa" nasceu Julia Gravena. Joao Gravena construiu uma casa maior agora de alvenaria . Nesta casa nasceu o último filho, Walther Gravena, mais tarde médico, cujops herdeiros ainda são proprietários do imovel. Fazendo jus ao seu estilo empreendedor Joao Gravena decide construir, com auxílio de parentes, duas salas de aula e foram contratados dois professores que passaram a morar na sua casano Sítio Cardoso ( era o nome específico).As professoras eram Nair Fernandes ( ficou 4 anos) e Josquim de Beto Lra ( ficou 2 anos). Continuando sua obra construíu uma Capela ( Capela Sto Antonio). O "Bairro dos Gravenas" preosperava e já havia também um armazém e uma barbearia. Joao Gravena sobrinho continuou a prosperar e comprou maisa terras até possuir cêrca  de 84 alqueires nesta região, mais 12 alqueires em uma regiao de serra, até hoje existentes ali, parte em escarpa e parte não reclamada pelos herdeiros devido ao acesso difícil.   Apesar de trabalahr duro na terra ( criava gado de leite, vendido para a Nestle, plantava café, algodão e os mantimentos básicos como feijão, arroz e milho, criava porcos e galinhas para o sustento e criava abelhas), Joao Gravena sabia que tirar sustento da terra era trabaho difícil, por isso levou seus quatro filhos a estudar, colocando-os em colégio interno em Piracicaba ( Julia e Cida no Assunção e pedro no Piracicabano). Joao Gravena Adoeceu ( contraiu o mal de Parkinson e teve de reduzir seu ritmo de trabalho já por volta dos 50 anos). Então a familia decide coprar uma propriedade em São Pedro em 1953 ( hoje na rua Maestro Benedito Quitino 1301, cuja casa me coube por herança). A área total perfazia 3.862 m2, uma chácara no centro de São Pedro. Mais tarde Walther Gravena faz o ginásio e o colegial em São Pedro, Todos seus quatro filhos terminam os estudos e formam-se com mérito:  Maria Aparecida e Júlia formam-se como professoras e integram a rede de ensino estadual; Pedro torna-se um advogado e ingressa na polícia ( DEIC) em São Paulo. Walther Gravena graduou-se em medicina e radicou-se em Piracicaba onde deixou uma imagem de excelência em cirurgia do aparelho toraxico e digestivo ( seu nome foi dado ainda em vida ao Centro Cirúrgico do Hospital dos Fornecedores de Cana. Dos filhos Pedro Gravena é o único vivo em 2012. Vale ressaltar que dos 4 filhos, na sua primeira geração  origirinaram-se pessoas bem sucedidas:  dois médicos, um deles da Medicina de Pinheiros USP; um economista com doutorado em Administração de empresas e professor universitário; 1 dentista; vários engenheiros e diretores de empresas; um engenheiro e executivo internacional em empresa multinacional radicado em Milão ( Itália), vários com especialização no exterior e um radicado nos EUA, professores e  trabalhadores,  homens e mulheres bem sucedidos e de bom caráter. Foi correta a visão de Joao Gravena sobrinho ao esforçar-se pelo estudo  dos seus 4 filhos, todos gerando famílias de homens de bem. Vale dizer que Maria Apparecida Gravena foi reconehcida como "artista da Terra" em São Pedro, onde deixou uma série de pinturas a óleo da natureza que tanto amava.

domingo, 26 de fevereiro de 2012

O Poder dos nomes próprios e dos apelidos

Os nomes dados pelos pais com amor aos seus filhos têm um significado especial e, à exceção dos erradamente escolhidos, são bençãos para os filhos. Apelidos vão contra a honra que os pais querem dar aos seus filhos no nascimento, via de regra são dados por pessoas de má índole ( com má intenção no coração) ou de forma ingenua, mas contra a vonta de Deus como nos ensinam as escrituras cristãs pela bíblia, pois buscam destruir a identidade das pessoas. Deus dava nomes poderosos aos seus escolhidos que tinham profundo significado em hebraico . Ex1. ELE mudou o nome de Jacó ( enganador) para Israel ( príncipe, libertador). Genesis 32-28 Ex.2 ELE mudou o nome de SARAI( esposa de Abraão) para SARAH ( princesa, o "h" simboliza o sopro do Espsírito Santo de Deus, "ahhh"). O nome foi alterado quando ela tinha 90 anos de idade, ainda estéril,logo depois haveria de conceber Isaque. ( Genesis, 17/17) Ex. 3 ELE alterou o nome de Abrão para Abraão, em hebraico tem a conotação de " pai de muitas nações" Genesis 17-5. Outra vez aqui surge o "H" no "A" intercalado no nome de Abrãao . Deus mudava os nomes dos seus escolhidos para melhor, elevando seus escolhidos para uma grande obra.  O nome de cada um é poderoso porque dado com amor por Deus assim ensinando os pais.  O que não procede de Deus vem do mal. O nome geralmente edifica e enobrece. Á exceção dos apelidos carinhosos, geralmente vindo dos pais, a grande maioria deles que é sugerido por outros vem para destruir e são do mal, portanto contra o coração e o propósito de Deus.Emquanto o nome dado por Deus e pelos pais abençoa os descendentes apelidos buscam quebrar esta "benção" e tornam-se em mal, por isso podendo até mesmo responsabilizar diante de Deus os que o fazem.

domingo, 14 de agosto de 2011

O caráter dos pais e a ética dos filhos

O caráter dos Pais e a ética dos filhos

Nenhum ser humano pode de “boca cheia” afirmar que é 100% ético e eu me enquadro nesta máxima, por outro lado procuro ser ético sempre que posso e em tudo o que fiz e faço. É difícil conviver com atitudes que me condenam. Gostaria (14/08/2011) de prestar uma homenagem ao “ Dia dos Pais”, relatando fatos da vida de meu pai que tem sido um referencial para minha vida (e para meus irmãos). Pena que não tive oportunidade de conhecê-la em toda sua extensão, mas tão somente recortes. Isso porque, ao nascer, meu pai, Sebastião de Azevedo Aguiar ( “ Zito Aguiar”), já estava na casa dos 40 e poucos anos.
Meu pai , como muitos já sabem, nasceu em São Pedro, foi voluntário na Revolução de 1932 o que muito me honra .Esse movimento de alto civismo já seria por si uma amostra de inestimável valor. Ao voltar a Piracicaba, de cuja cidade partiu o batalhão onde se alistou (600 ao todo desta cidade), buscou trabalho na área administrativa do engenho central, mais tarde voltou a São Pedro onde ocupou por muitos anos o cargo de tesoureiro na Prefeitura Municipal . Na Prefeitura de São Pedro ele teve a honra de ocupar por alguns dias a posição de Prefeito, o que lhe deu uma elevada distinção na cidade e hoje sua foto ocupa um lugar na “ Galeria dos Prefeitos” e é visível no site desta instituição. Por isso ganhou até o nome em uma rua da cidade. Emociono-me cada vez que abro esta página, quase não posso conter as lágrimas ao ver sua foto. Voltando ao tema, um fato que até hoje me intriga é o porque desta característica do meu pai, a busca pela ética . Só pode ser influência do seu pai, meu avô, Francisco Mendes de Aguiar . Vamos aos fatos sobre meu pai, alguns até pitorescos, fatos esses que venho colecionando e que mostram seu caráter. Procurarei narrá-los em ordem cronológica e dei um “titulo” a cada um deles.
Fato 1 “ A leitoa cevada”: minha mãe me dizia que certa vez um ‘amigo” adentrou nossa casa e desejou compartilhar sua alegria porque sua filha havia passado em um concurso público para professora mo município e ambos regozijaram-se. Em seguida esse amigo dizia ao meu pai que estava muito preocupado porque sua filha estava grávida e havia obtido a 11ª colocação o que a colocaria no “ Alto da Serra de São Pedro”, podendo, em virtude da má conservação da estrada e das suas curvas fechadas, até mesmo perder o bebê, transmitindo esse peso ao meu pai. A conversa ia bem quando este amigo disse ao meu pai : “ Zito, gostaria de dar-lhe de presente uma bela “leitoa cevada”. Meu pai de pronto muito agradeceu, ao que seu “amigo” disparou: “ Zito, com base na nossa amizade, você bem que poderia ajeitá-la em 10 lugar na sua lista, já que eu soube que a tal lista está com você e ninguém vai saber não é ? Meu pai ficou profundamente irritado, não hesitou, cortou a amizade e colocou o tal sujeito para fora de casa rompendo imediatamente a sua amizade.Ele não aturava esse tipo de coisa.
Fato 2: “ O rapaz insolente”: talvez com menos de 10 anos de idade, um dia tomava o ônibus piracicabano com meu pai e sentávamos do lado esquerdo, uns três bancos atrás do motorista. De repente meu pai irrita-se com algo à frente, sai do banco e fala ao rapaz que molestava a moça: “ Oh Fulano, agora o negócio é comigo, saia já desse ônibus”. A moça meio encabulada disse “ Não se preocupe senhor, tudo bem... “. Meu pai disse” Nada disso e dirigindo-se ao motorista ( conhecido) pediu para ele parar o ônibus, ao que ele prontamente atendeu, abrindo a porta. Meu pai fez uma “cara de mau e com fúria ( ele ficava muito vermelho quando bravo): “ Saia já desse ônibus”. Completamente abobalhado o “garanhão” desceu as escadas e olhou e virou esperando meu pai para a discussão ou briga, sabe Deus o que. Meu pai disse ao motorista. “ Fecha a porta e toca em frente”. O rapaz ficou na saída de São Pedro ( naquele ponto que fica antes do portal da cidade), sem entender o que se passava. Que cena !!!
Fato 3: “ O rio de águas amargas”: em casa minha mãe era professora do curso primário, meu pai tesoureiro da prefeitura. O salário de ambos era razoável mas o pagamento de uma hipoteca da casa onde vivíamos deixava pouco para sobras e não raras vezes eu ouvia do meu pai “ estou em um rio e não posso beber água”, isso porque ele precisava de dinheiro, mas não ousava retirar nem um centavo do caixa da prefeitura onde servia. Somente anos depois pude lembrar-me disso e entender melhor quando algo semelhante comigo ocorreu. Era Gerente de investimentos do Banco de Tokyo, por ordem da Diretoria estava vendendo debêntures de estatais e o valor desta transação era de algo em torno de 5 milhões de dólares. O meu chefe, Sr. Harada costumava dizer: “ John: confio 100% você”. Havia uma diferença a acertar ( problema de inflação e da projeção de índice de preços que afetava o preço dos papéis no futuro), a diferença era de uns R$ 200.000. O comprador com a cara lavada me disse ao telefone “ O João, legal meu ? Sim respondi, muito feliz por vender os papéis. Ele me disse: “Vamos (sotaque puxando o s) deixar para as castanhassss... ? ( era época de natal”). Entendi a jogada e desabafei irritado “ Cara, você vai dar até o último centavo para os japoneses daqui”, estou fora disso. Nunca mais falei com o sujeito, mas fiquei satisfeito..
Fato 4: “ Valentia e fidelidade”: esse fato foi relatado em livro do ex-prefeito de São Pedro, Lázaro Capelari (1). Diz o ex-prefeito que certa vez estava sendo perseguido pelo delegado local ( e ameaçado de prisão) por motivações políticas. Ao chegar no trabalho meu pai percebeu que as portas da prefeitura estavam meio cerradas e que seus colegas se aglomeravam ali. Ao saber do fato indagou o prefeito que relatou não haver expediente neste dia porque sua prisão era iminente. No livro o prefeito diz que meu pai tomou a frente do grupo e declarou em alta voz: “ Prefeito, pedindo desculpas ao senhor, queremos cientificá-lo de que haverá expediente sim, só sairemos daqui juntos com o senhor, seja para onde for”.. Diante da expressiva manifestação de solidariedade o delegado voltou atrás e não prendeu ninguém. Em seguida o escritor ( ex-prefeito) dizia que “Zito Aguiar era um cidadão pacato e muito educado”.
Fato 5: “Amizade e seriedade”: esse fato foi-me relatado pela esposa do prefeito ( caso acima), antes de falecer no ano passado com mais de 90 anos. Ela me dizia que gostava demais do meu pai e justificava.Um dia Zito Aguiar chegara ao seu futuro marido ( então amigo ) e disse: ‘ Meu caro, cuidado com esta moça que você está cortejando, ela é especial, trate-a com a dignidade que merece !!!”. Esse era Zito Aguiar.
Esses fatos que selecionei mostram como era a personalidade de “Zito Aguiar”, marcaram profundamente o meu caráter. Pena que poucos brasileiros têm referenciais assim, de outra forma não haveriam tantas notícias de corrupção nestes dias grassando as mais variadas instituições públicas do Brasil. Fui privilegiado. Busque você também os melhores referenciais e siga sua vida no caminho do bem !!!
(1) CAPELLARI, Lázaro. “ O Último Coronel”. Piracicaba: Degaspari Gráfica, Dezembro, 2002.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Revolução de 1932: o Brasil tem seus heróis

Voluntários de 1932: o Brasil tem seus heróis.

Desde criança observava meio atônito algumas lembranças da experiência de meu pai na Revolução de 1932, um cantil de alumínio meio amassado de um lado, um gorro de pano amarelo afunilado, um “soco inglês” ( armação de ferro a ser usada nas mãos) e uma arma semi-automática que meu pai sabiamente guardava em uma gaveta bem trancada. Logo acima um pequeno quadro que destacava o chamado para a Revolução Constitucionalista de 1932. Nunca pude compreender perfeitamente o significado destas coisas nem mesmo a passagem de 1932. Somente após vários anos, após haver concluído o mestrado, meu interesse pela história foi aguçado de forma súbita e passei a buscar o porquê de tudo que me cercava e , inclusive, da Revolução de 1932. Hoje compreendo quando vejo o grande destaque dado a esse feito, materializado no Obelisco,um monumento destacado no Ibirapuera, onde repousam vários combatentes.
Ao pesquisar hoje sobre esse fato marcante da formação republicana sou informado de que é por alguns reputado como um dos atos cívicos mais representativos da história do povo paulista, mais ainda, do Brasil, porque, embora derrotados, seu objetivo foi alguns anos depois alcançado, uma nova constituição foi dada ao povo brasileiro.
O que me surpreende, porém, é o caráter patriótico do movimento, pois esses jovens voluntariamente colocaram suas vidas em risco pela nação, reconhecidamente um sentimento puro, bravo e patriótico, raro entre os brasileiros na atualidade. O Brasil é um país incomum, abençoado por recursos naturais e poucas intempéries; poucos brasileiros, por esse e outros motivos, tiveram oportunidade de desenvolver laços mais profundos de amor à terra e aos melhores valores do homem, diferentemente dos povos mais sofridos (e por isso mais patriotas), Não foi assim com os “heróis de 1932” . O conflito durou cerca de três meses, mas a luta foi sangrenta, pois ceifou em torno de 900-1000 vidas, segundo as estatísticas oficiais, mais do dobro dos igualmente valentes ‘pracinhas” brasileiros que participaram da II Grande Guerra de 1939-1945.
De meu pai herdei não riquezas, mas um caráter reto. Presenciei mais de uma vez ele optar por perder incertas amizades, para manter os melhores valores; minha mãe já falecida me reportou outras três ocasiões em que ele cortava relacionamentos pelo que considerava reto e ético. Tesoureiro municipal, dele sempre ouvia “ estou em um rio e não posso beber água”. Até um conhecido ex-prefeito de São Pedro narrou um fato em seu livro, meu pai decidiu ficar ao seu lado e defende-lo, após ser ameaçado por uma autoridade local, pois a ele devia submissão e respeito. Ele era honrado e leal.
O que mais me surpreende nesses dias, ao ler e reler os jornais, é ver tanta escassez dos melhores valores, tanta falta de amor cívico, tanta desrespeito á ética e ao próximo, tanta falta de compostura por poderosos empresários e políticos nacionais.
Apesar de tudo que vemos e ouvimos há esperança e, mesmo que o amigo leitor não seja cristão, causa que eu já abracei, posso dizer que o Brasil tem seus heróis sim, a exemplos dos voluntários de 1932, cujo dia comemoraremos no próximo 09 de Julho.

João Francisco de Aguiar, economista, Dr. em administração de empresas, filho de Sebastião de Azevedo Aguiar ( “ Zito Aguiar”), do Batalhão de Piracicaba em 1932.