quarta-feira, 18 de julho de 2012

O Legado dos Heróis de 1932


O LEGADO DOS HERÓIS DE 1932
No período imperial ( século XIX) o Brasil passou por uma série de conflitos externos e internos com o objetivo de consolidar e pacificar o seu território. Estas épocas demandaram uma completa entrega dos brasileiros, muitos cederam suas vidas pela nação; apenas na Guerra do Paraguai, que durou vários anos fala-se em mais de 50,000 vidas. A partir do século XX  o país esteve em paz com seus vizinhos, talvez a maior virtude do povo brasileiro, mas não foi sempre assim, houve conflitos internos, a exemplo da Revolução de 1932, quando bravos paulistas voluntariamente alistaram-se e doaram suas vidas e, em apenas um trimestre, mais de 1000 se foram para sempre. De Piracicaba partiram cerca de 800 revolucionários ( 14 faleceram), dentre estes haviam 27 de São Pedro (uma baixa). Estas épocas produziram homens patriotas, corajosos, mas humildes e de caráter ilibado, traços forjados no calor das batalhas. Com  61 anos de vida tive a honra de conviver com três destes bravos  que deixaram suas famílias para defender a democracia brasileira lutando contra tropas federais a mando de Getúlio Vargas. É sobre eles que deixo estas poucas palavras. Dois deles eram da família Moraes Carvalho ( Piracicaba), tios de minha esposa, convivi ocasionalmente com eles durante  5 a 10 anos. O terceiro era meu pai, Sebastião de Azevedo Aguiar (“Zito Aguiar”), o qual perdi com 21 anos. Os três possuíam algumas características comuns: a) educados e atenciosos, gostavam de uma conversa inteligente, valorizavam o tempo e seus amigos; b) possuíam um caráter reto, incorruptível; c) ostentavam um porte elegante, altivo, mas solidários e humildes de coração; d) Eram avesso a vícios e responsáveis chefes de família  e  e) acima de tudo, os três eram tementes a Deus. Remoendo essas idéias recosto minha cabeça no travesseiro e deixo minha mente vagar em torno desses homens e tenho várias questões dentre as quais: a)  O que teria forjado esse caráter diferenciado ? Qual enfim era a origem do magnetismo das suas personalidades ?. Onde está a raiz do caráter que faz um homem como o meu pai viver por mais de 25 anos na tesouraria  da Prefeitura Municipal de São Pedro, de forma reta e irretocável  ao olhos dos seus superiores ? .Porque teria ele decidido várias vezes romper pretensas amizades em prol da sua honra ? . Meu pai, assim como os tios de minha esposa e a maioria, se não todos os  que defenderam com as suas vidas a pátria brasileira, sentiram o pavor do espanto noturno, nos seus ouvidos o som do zunido das balas perdidas e enfrentaram o terror da morte ao verem seus pares sangrar ou tombar nas trincheiras. Os historiadores relatam que a capacidade bélica era desproporcional em favor das tropas federais, daí tantas mortes nas fileiras paulistas em tão pouco tempo ( apenas três meses). Partiram como jovens, corajosos, alinhados, saudáveis, garbosos e certos da vitória. Voltaram homens, com ferimentos na alma e no corpo, desapontados pela derrota nas batalhas. Chegaram cabisbaixos mas foram surpreendidos ao serem recebidos com salvas, pois voltaram carregando o estandarte da  liberdade democrática. Foram reconhecidos como heróis pois defenderam e conseguiram direitos constitucionais que desde então têm assegurado a democracia nesta nação. Estes pagaram o preço com suas  vidas pelo Brasil, uma terra de paz e abençoada por imensas  riquezas naturais. Diante do pavor das batalhas aprenderam a temer a Deus e a defender a paz entre os homens. Foi um ato cívico de grande envergadura, um dos mais significativos ocorridos no Brasil, mas 80 anos já se foram, já não ecoam como antes nos corações, seu valor vai esmorecendo no tempo. Nós que tivemos o privilégio de compreender esses valores patrióticos às vezes sentimo-nos inconformados em face de notícias negativas da imprensa a respeito do comportamento de alguns líderes políticos. Alguns até ironizam dizendo que Deus teria abençoado demais esta terra, esquecendo-se do povo. Não é verdade, a palavra de Deus assegura o seu amor incondicional pela humanidade. Há esperança sim desde que possamos sempre relembrar e honrar esses que em tantas guerras e batalhas ofereceram suas vidas pelo preço da defesa dessa nação. Há esperança sim desde que ensinemos aos nossos filhos os feitos dos heróis nacionais de tantas lutas, assim como as conquistas dos revolucionários de 1932, neste 09 de Julho  comemorando 80 anos de idade, pois dos seus melhores valores repassados aos nossos descendentes serão edificados o caráter e o patriotismo dos jovens brasileiros do amanhã.               
 João Francisco de Aguiar, Dr. em Administração de Empresas, nascido em São Pedro,  é professor universitário.

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